Lembranças de Infância: Cigarros

Lembranças de Infância: Cigarros

Minha mãe fumou por muitos anos. Apesar de já ter parado há provavelmente mais de uma década, lembro bem do cheiro do cigarro que irradiava dela como uma aura cinzenta durante praticamente todos os anos da minha infância.

Ela nunca fumava perto de nós, mas confessa que fumou algumas vezes durante os nove meses em que me carregou (os anos noventa não tinham começado há muito tempo, não a julgue tão duramente). O círculo social dela era formado por fumantes, aliás. Acho que foram poucas as vezes em que não estive exposta ao cheiro de um cigarro altamente cancerígeno, mesmo que de forma indireta.

Enfim, 

Nunca fumei. Nem acho bonito ver alguém com cigarro na mão. Acho até… Um pouco repugnante. Chique de uma forma ultrapassada, talvez. Mas levemente repugnante. Penso em pulmões negros de forma quase automática.

Porém, uma vez ou outra me bate uma vontade louca de fumar. Ir ao posto de gasolina mais próximo (porque o mercadinho do vizinho não vende cigarro, viu?) e pedir um maço. Eu nem sei qual escolheria… Talvez o que parecesse menos aterrorizante, já que todas as embalagens trazem imagens nada amigáveis. 

Ou talvez eu escolhesse meu cigarro pela imagem aleatória mais pútrida e triste — alguns dias eu acordo bastante autodestrutiva.

Se minha mãezinha soubesse disso, ela ficaria louca de raiva e diria que a culpa não é dela. Não é, eu realmente concordo. De alguma forma a minha cabeça associou um cheiro (que eu desprezo) a um universo de boas memórias. É simples assim. Eu fiz o mesmo com incensos… Minha mãe sempre gostou de queimar incensos pela casa. 

Bons tempos, bons tempos.

Já falei aqui como eu adoro parênteses? Alguns professores ficam loucos com parênteses demais. É vício de escrita! É porque não pensou direito antes de escrever! É isso, é aquilo!

No meu blog HBB eu já escrevi sobre (meus queridos) parênteses.

Ai, ai. Como diz minha mãe, eu vicio fácil em quase tudo. O que virá depois dos parênteses? Cigarros, imagino.

– Link para o meu blog principal aqui. Link to my main blog here.

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Realizações Diárias: por que sou tão cafona?

Realizações Diárias: por que sou tão cafona?

Nossa, quando eu releio alguns antigos poemas que escrevi lá do fundo da alma… Sempre preciso parar e tomar um fôlego no meio da leitura. Como eu sou cafona. Eu sempre fui. Sempre serei. Ah, mas todos os românticos são, em parte, cafonas. Todos os depressivos também. Os poetas… Nem me fale.

Que culpa eu tenho? Minha única vantagem é ser uma romântica fatalista: os sonhos vêm soando e eu destruo tudo no mesmo minuto. Eles voltam, mas eu ando sempre com meu estilingue de realidade: um, dois, três. Lá se vão os sonhos voadores, apedrejados. Quatro, cinco, seis. Todos no chão.

Há uns dias minha mãe vem reclamando que eu não marquei meu psiquiatra. Já não nos vemos há uns três meses. Algumas pessoas falam com toda a alegria que vão ao psiquiatra. Bizarro.

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Pensando sobre paraísos, morte e música

Pensando sobre paraísos, morte e música

Essa é uma noite terrível e estou bem triste, mas estou aqui ouvindo boas músicas do passado, com muita bossa nova da mais fina classe (toda bossa é) e alguns hits dos anos oitenta (olá, Lobão!).

O povo da igreja da minha mãe quer viver pra sempre num paraíso aqui na terra.

Nossa, viver pra sempre deve ser um horror. Mesmo com juventude eterna num paraíso, a ideia de viver eternamente não me apetece.

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Doçuras e o sentido da vida

Doçuras e o sentido da vida

De uma coisa eu tenho certeza nessa vida: eu não sei o meu propósito. Acho que nem todos sabem o seu. Alguns deixam a inquietação de lado no consultório do psiquiatra, outros deixam-na para trás depois da adolescência e muitos acabam indo para o túmulo com todas as suas. Acho que esse será o meu futuro também. Eu sempre fui fatalista… Fazer o quê?

Mas eu queria mais doçuras nessa vida. Mais amores, mais alegrias. Mais noites fora de casa, nas ruas, no teatro lindo, com os amigos que o meu coração nunca imaginou que amaria, mas ama. São alguns dos desejos naturais da vida, mesmo quando o sentido da mesma seja desconhecido.

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A Primeira Postagem

A Primeira Postagem

Estou criando este blog de forma bastante despretensiosa porque não sei muito bem o que quero com a criação do mesmo. Se pudesse, eu escreveria mais em português, porém eu não consigo simplesmente colocar meu blog HeartBeatsBlue, praticamente todo em inglês, em segundo plano depois de tanto tempo, independente do fato dele ser um site relativamente pequeno. Traduzir tudo, reescrever as mesmas coisas ou filtrar certos pensamentos para um blog, deixando sentimentos para outro, também não parece correto e não é algo que eu gostaria de fazer. Gosto de ser fiel a quem sou, mesmo quando não sei o que está acontecendo comigo e todos em volta. Obrigada, Vinícius, por dizer que eu deveria criar uma página somente em português. O WordPress por si só já não possui um número de usuários lusófonos muito grande, pelo menos que sejam ativos… Então, em partes, é legal saber que sou uma das mais novas dos poucos autores daqui.

O próprio HBB começou sem razão e sentido concretos. Foi como… uma linda gravidez poética totalmente inesperada. Na época, as grandes pessoas da minha vida não falavam português, então escrever numa língua que meus “leitores” não conheciam estava fora de questão. Seria, no mínimo, tolice. Parte do meu primeiro blog também traz traduções e reinvenções de poemas brasileiros e portugueses, letras de músicas e afins. Fora que eu sempre faço questão de mencionar meu Brasil e minha Manaus, essa metrópole amazônica, uma joia esquecida no meio da maior e mais bela floresta do mundo.

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