A falsa obrigatoriedade de manter contato com quem não gosto

A falsa obrigatoriedade de manter contato com quem não gosto

É difícil. Em tempos de redes sociais, eu sou uma eremita do mundo tecnológico. Apenas uso o WhatsApp, e esse simplesmente porque não posso evitar, já que necessito dele para coisas relacionadas ao trabalho e afins.

Bem,

Uma amiga perguntou se Fulano de Tal, dos idos anos 20xx, poderia falar comigo. Aparentemente, Fulano de Tal, que há uns sete ou oito anos atrás era meu amigo — ou qualquer coisa próxima de amigo, porém que não seja bem amigo, mas ao mesmo tempo algo maior que conhecido — havia perguntado se ela ainda tinha contato comigo. Queria conversar pelo WhatsApp.

Eu disse que tudo bem, mesmo não querendo, já que eu sabia bem que não tínhamos nada em comum na época. Vi-me obrigada a fazer isso. Etiqueta. E estupidez também. E quem sabe uma fração de esperança de que a idade pudesse ter mudado alguma coisa.

Agora eu estou aqui respondendo mensagens do Fulano que, surpresa, parece ainda mais tedioso e lugar-comum do que antes. E ainda passa cantadas, que absurdo.

Como isso é possível? E por que eu simplesmente não “dou um gelo” e sumo de vez? Talvez eu ainda precise aprender a ser mais direta, já que as indiretas não funcionam.

Etiqueta, meu deus. Etiqueta e estupidez — sem esperança dessa vez porque essa já foi pelo ralo.

Espero que eu não seja a única a sentir que existe, entre nós humanos, essa obrigatoriedade em se falar com quem não se gosta, mesmo fora de lugares onde isso seria, teoricamente, obrigatório. Talvez no meu local de trabalho eu não possa evitar interagir com certos indivíduos, e isso é compreensível, mas na minha vida diária e pessoal? Por favor, eu. Essa obrigatoriedade é falsa, eu poderia simplesmente dizer não se quisesse.

Mas onde está a coragem para fazer o necessário? Quando se diz não, muitas vezes é preciso responder o “mas por quê?” curioso de algumas pessoas. Por quê?

O porquê eu sei lá, eu só não quero.

Talvez eu pudesse me prolongar nas ideias e desculpas que eu tenho que realmente sejam parte desse “porquê”, mas eu sei que elas machucariam Fulano.

E mentir assim, por algo pequeno, é inconcebível para mim… Não que eu também goste de mentiras grandes.

É um círculo vicioso… Como sair dele?

Às vezes me pego aqui pensando: acho que eu enlouqueceria se lidasse com isso com mais frequência. Talvez as redes sociais tornem essas coisas mais comuns, e muitos reajam a tais situações com uma leveza que não tenho. É invejável, talvez… Mas prefiro ficar aqui no meu canto. Essas “amizades” forçadas são terríveis. Eu bem que preciso de mais amigos, mas não vou me enganar e dizer que gosto de alguém que quase detesto só para lutar contra a solidão.

Fulano, entenda minha indireta. Pare de mandar mensagem para mim. A gente não funciona nem para amigos, cara. Obrigada pela iniciativa, mas não vai rolar. Que os bons tempos do passado fiquem no passado. E adiante com nossas vidas, Fulano! Muito sucesso!

Saúde, saúde!

– Link para o meu blog principal aqui. Link to my main blog here.

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